Não vou pensar hoje.
Não quero viver hoje.
Não tenho como te ver hoje.
Não digo que não, hoje.
Talvez amanhã faça isso...
sexta-feira, 27 de junho de 2008
sábado, 7 de junho de 2008
Ode à escrita
Oh doces palavras...
Dançando suavemente na ponta de uma pena, ao som da vontade do escritor.
Dançam, num baile infinito de avanços e recuos, como uma pequena chama trémula que dança apenas para si própria.
Sozinhas, nada são.
Juntas, formam o tudo.
Quantos desabafos já carregaste, por entre as tuas humildes letras?
Quantas alegrias presenciaste?
Quantas lágrimas deitaste,
Eterna companheira?
Leal confidente,
Presente nos momentos mais difíceis.
Nunca te cansas, nunca te queixas;
Nunca foges, nunca desistes de nós.
Porque continua a haver gente que não te conhece?
Porque continua a haver gente que não conhece o éter do mundo mundano?
Porque te continuam a pisar, a desrespeitar, a descaracterizar, a destruir?
Quem sóis vós, pobres ignorantes,
Cegos por algo que não o brilho da vida?
Acordem, e deixem-se cegar.
Apreciem o brilho e deixem a pena movimentar-se.
Ao teu próprio ritmo, pois cada um possui um diferente.
Ao ritmo do teu coração.
E quem és tu, estranha forasteira,
Que parece ser tão indispensável que o próprio ar que nos mantém vivos?
Não sei.
Não completamente.
Ninguém sabe.
Ninguém pode saber.
Talvez seja nisso que reside a sua magia.
No mistério do desconhecido.
Nas descobertas que fazemos, a cada dia que passa.
Nesta infindável aventura que é escrever.
No resplandecer de cada nova palavra formada.
Na arte das raras almas que conseguem trazer ao de cima a sua beleza oculta,
Fazendo a pena dançar sob o seu eterno companheiro,
Como se as palavras lhes brotassem directamente do coração.
Em cada pequena letra que segue a anterior e juntas formam uma palavra, uma frase, um texto.
Uma vida.
E tu permaneces, por entre fios de palavras e vida, eterna e discreta;
Frágil, mas com um porte imponente.
E por entre pedaços de memória e ser tu resistes,
Crescendo a cada palavra escrita,
E lutando para que esta chama não se apague,
E que para sempre alumie o nosso caminho.
Poema (se é que se pode considerar um poema xD) escrito à duas semanas. Vá, agora em solidariedade, assinem a petição contra o Acordo Ortográfico. ^-^
quinta-feira, 5 de junho de 2008
Bilhete de Ida e Volta
Se não vou
porque não fui
só não volto a ir se não chegar.
Pressa de viver:
Vontade de ficar.
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Alguém me pontua os três primeiros versos? Queria dizê-los de tantas maneiras...! Qual é a vossa?
porque não fui
só não volto a ir se não chegar.
Pressa de viver:
Vontade de ficar.
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Alguém me pontua os três primeiros versos? Queria dizê-los de tantas maneiras...! Qual é a vossa?
Sujeito poético
O lápis, aquele aguçado utensílio.
A alma do escritor, o dedo do artista.
Aquele cujo seu auxílio
Cria mais que o que tenho à vista.
A alma do escritor, o dedo do artista.
Aquele cujo seu auxílio
Cria mais que o que tenho à vista.
O poeta não é aquilo que é.
É aquilo que escreve.
Tal como o lápis:
È o que o destino lhe serve.
Os poemas, lidos ou reproduzidos
Representam a personagem poética.
O fingir daqueles que se dizem esclarecidos.
O fulgor daqueles que só pensam na estética.
Os poemas são o espelho turvo do costume.
Aquilo que se passa nem sempre se passou.
Aquilo que se sente nem sempre se sentiu.
Aquilo que se ouve nem sempre se ouviu.
O poeta: uma criatura misteriosa…
É um ser que finge e que sente fingido.
É um ser que sente e que finge o sentido.
Não é realmente o que é: é parecido.
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