quinta-feira, 10 de julho de 2008

Noite em Branco

A noite em branco. Sombria e tumultuosa noite que, por sua vez, desperta em nós não só o sono como também acode às nossas preocupações, aos nossos medos, aos nossos fantasmas de consciência. Por ventura, este tipo de descanso espiritual não tem só partes más: podemos reaproveitar o nosso tempo em que nos contorcemos na cama procurando com afinco a melhor posição para pegar o sono pensando na vida, nos amigos, tentando libertar de nós tudo o que é bom, mas que com azar, atrai o que não é tão bom.
Vigorosa a noite de descanso é. Odiosa é aquela em que a insónia nos abate de tal modo que em certa parte culpamo-nos a nós mesmos o facto de não conseguir dormir. O receio de acordar tarde e outrora atrasados na manhã seguinte abala-nos ainda mais.
A noite em branco. O assalto do passado, do presente e, quiçá, do futuro que para vir é inevitável. Num instante a vida parece um sonho eterno. O planeta deixa a sua órbita em torno do Sol e concentra-se em nós.
Por momentos, pensamos em voltar a tentar adormecer mas, olhando novamente para o relógio vemos que se tal acontecer, o dia seguinte pode sofrer algumas alterações não tão boas tendo como cartão de visita um atraso.
A insónia da noite não dormida vence.

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