sábado, 25 de abril de 2009

Untitled (Yet)

Estava um dia solarengo, em que o sol espreitava por detrás das nuvens, como promessa de um dia quente e alegre. Por entre uma fila de carros que parecia interminável, um carro se destacava da multidão.

Mãe e filha viajavam nele, numa tentativa de chegar à escola a horas e, mais tarde, ao trabalho. O silêncio reinava, não por alguma razão em especial, mas sim devido às horas que eram e à influência do implacável sono. Apenas o rádio canta, para ninguém em especial, talvez para toda a gente.

Quando, como se rompesse um feitiço (talvez só o pensamento de mãe e filha), uma música começa na rádio.

“Quem vem e atravessa o rio…”

De imediato, mãe e filha cantam numa só voz, que não vem da boca mas sim do coração, aquela música, aquelas músicas, aquele autor que lhes diz tanto.

Cantam a letra, sabem-na de cor, mas, para elas, não é apenas a letra que escutam. Quando a escutam juntas, por entre palavras, metáforas, comparações e rimas, elas conseguem ouvir o que o cantor não diz. Elas conseguem ouvir o que o coração da outra canta, uma canção de amor e felicidade, de amizade e união, cantada ao ritmo das músicas de Rui Veloso.

Quando a música termina, sorriem uma para a outra. O silêncio volta instalar-se, mas o mais importante foi dito. Afinal, as coisas mais importantes são ditas e escutadas com o coração.

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Embora já ninguém aqui venha, aqui fica. Texto escrito a pedido da minha mãe ^-^.

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